
finjo que são muralhas.

na berma do amanhecer só.
Tento manter a destreza dos tolos,
imaginando que tenho nos pés raízes,
Que tenho nas mãos penas violeta,
um baú, de tesouros e magos.
De segredos e salmos.
Faço-me de momentos,
Refaço-me de tempos,
Desfaço-me de espera.
Respiro o que há em mim,
Perfume da chuva,
Aroma de Outono,
Hidrato-me de ventos e nortadas…
E envelheço na folhagem seca,
Sonhando-me sempre jovem na Primavera do desejo.
Sentindo.

Uma Vida de sorrisos,
Armaduras e vestidos
De corpetes de cetim…
O esbanjar da própria espécie
Delírios que se julgam prece…
Que se estendem em louvor,
Erguendo almas sem calor…
Um outro lado deste chão…
Onde caminha o tempo em vão.
Um outro olhar de quem não vê…
Que sou eu, que sou assim, que estou aqui.
Descalça neste chão de pedra.
Cega neste templo frio.
Surda neste frenesim…
Muda…
Para ti.
Um outro lado,
De mim.
malabarismos da consciência...
conscientes ou não.
pé ante pé,
degrau a degrau,
um dia de cada vez.
se sobe... a euforia despista o sentir,
se desce... a voz emudece a alma.
malabarismos de querer,
curvas de perder,
medos de ser.
e nesta valsa, somos o que queremos...
queremos o que não somos,
amamos o que dançamos.
e pedimos ao Universo um tango,
que nos desapegue do sentimento
mudo, quieto e ausente.
e esperamos somente o calor...
e deixamos de esperar o Amor.
não ter frio... tem que ser suficiente.
Respira a tua dor… Sente os soluços de entorpecimento da alma
E transforma.
Ergue um monumento de saberes e sentires,
E declina o teu jeito imperfeito em louvor a ti mesmo.
Respira o sentido de todas as cousas,
E Ama o sorriso e a dança.
E goza o silêncio da Contradança.
Respira o meu Ser,
O meu mar,
E sussurro-te o Amanhecer…
Sem pressas…
Bem devagar.
Num deslize de alma em cetim,
De azul de toque, púrpura de mim…
Num respirar de senso em neblina,
Densa de porquês, lâmina fina.
Deixo passar.
Deixo de respirar.
Torno-me invisível para ti.
Finge que não me vês então,
Para que minh’alma se torne pequenina.
Finge que não sorris quando danço,
Para não me sentir rainha.
E na ausência, de sim…
Sou somente um talvez.
O Sonho… em mim dorme, em mim esquece.
A Vida… acorda as suas pétalas
como se Primavera fosse em cada dia que passa.
As Palavras… dançam valsas ao som de pianos e violinos,
convidando borboletas, fadas e meninos.
A Música… acarinha cada anjo que passa,
Embalando os céus de encontros e desencontros.
O Olhar… estremece de desalento
Na busca incansável do momento.
E eu, e tu, e nós…
Somos a árvore.
Aquela que é… que cria, que canta, que dança, que chora
Mas que permanece.
E somos tudo e somos nada,
E somos o que basta…
e toda a imensidão da nossa eterna criança.
E toda a dimensão que o nosso sonho alcança.
Aquele que dorme, aquele que esquece.
quando tropeçamos...
e não caímos de joelhos...
mergulhamos no mar de ausência de palavras, de sussurros, de vento.
mergulhamos no silêncio outrora reconfortante
e sentimos a vida a passar por entre os dedos como areia que não se vê, só se sente.
Aquele esvair de sentido, aquela dor fininha da lâmina da vida, trespassa-nos e deixa-nos apenas a alma em dor.
Dói o corpo, dói a profundidade do toque, dói o olhar o chão como se um espelho fosse.
Apenas dói... apenas corrói.
Mas... reconstrói.
E no erguer para um novo esforço de respirar, buscamos o alento das árvores, da folhagem, dos sorrisos, das fadas, dos duendes, das cores, do som.
E buscamos o ouvir de novo, o sentir de novo, o olhar de novo.
e buscamos buscamos buscamos, mesmo na inércia.
E esperamos...
sorrir novamente, largar o peso das asas...
E voar.
De mãos dadas com o universo que parecia de costas viradas,
pedimos com a humildade de quem nada lhe pertence, de quem nada lhe é.
Que assim seja, assim seja , assim seja.
Com Amor, desesperança, fé.
Um dia de cada vez... só por hoje...


Namastê
"Todo o amor do mundo pode ser dado a você, mas, se você decidir ser infeliz, permanecerá infeliz.
E você pode ser feliz, imensamente feliz, por absolutamente nenhuma razão - porque a felicidade e a infelicidade são decisões suas.
Leva muito tempo para perceber que a felicidade e a infelicidade dependem de você, porque é muito confortável para o ego achar que os outros estão fazendo você infeliz.
O ego insiste em dar condições impossíveis, e ele diz que primeiro essas condições precisam ser satisfeitas e somente então você poderá ser feliz.
Ele pergunta como você pode ser feliz em um mundo tão feio, com pessoas tão feias, em uma situação tão feia. Se você observar correctamente, rirá de si mesmo. É ridículo, simplesmente ridículo. O que você está fazendo é absurdo. Ninguém está nos forçando a fazer isso, mas insistimos em fazê-lo - e gritamos por socorro.
E você pode simplesmente sair disso; trata-se de seu próprio jogo - ficar infeliz e depois pedir simpatia e amor.
Se você estiver feliz, o amor fluirá em sua direcção... não há necessidade de pedi-lo.
Essa é uma das leis básicas.
Exactamente como a água flui para baixo e o fogo flui para cima, o amor flui em direcção à felicidade”.
Enquanto divagava por outras escritas, outras imagens...
Um homem foi até Lin Chin e disse: “Meu mestre é um grande médium. O que você tem a dizer sobre o seu mestre? O que ele pode fazer, que milagres faz?”
O outro falou: “Do que você está falando? Chama isso de milagres? Todos fazem essas coisas!”
Lin Chin respondeu: “Engano seu: ninguém faz isso. Quando você dorme, faz mil e uma coisas. Ao comer, pensa em mil e uma coisas. Mas, quando meu mestre dorme, ele apenas dorme: não fica se mexendo, não se vira, sequer sonha. Apenas o sono existe naquele momento, nada mais. E quando sente fome, ele come. Ele sempre está exactamente no lugar onde ele está.”
(Om Shanti Ramaji... vou voar e escutar a música. Beijinho)
Preciso de folhas no meu trilho
Caminhar entregue sobre mantos de Outono,
sem querer saber para onde...
e ouvir-me.
Preciso de vento na minha dança,
Olhá-lo com carinho quando se cruzar no meu rosto,
ou dar-lhe a mão quando seguir no meu caminho.