Shanti

5 de novembro de 2014

Novembro

Em mãos finas e leves…
vem doce e agridoce sussurrar-nos a terra nas cores, o frio nas memórias.
Em passos pequenos, arrefece-nos o corpo e acaricia-nos com folhas  e ventos…
lembrando a gratidão pelo sentir,
esquecendo o queixume pelo escuro precoce, pela chuva que entranha.
Sinto-me mais ténue… nos laranjas e castanhos que me diminuem a tristeza.
Danço nas folhas, com imagens de menina pequena.
Subtil Novembro… em beijos de Outono…
Entra… o meu Mundo em prece tinha saudades da tua música.
E quando me acarinhas com o Sol…
parece que não houve Verão que me confortasse.
Que assim seja, assim seja, assim seja.

Shanti  _()_ 

25 de setembro de 2014

Simplicidade de Outono


alimentar-me de cores Outonais, 
balançar nas palavras do Ser criança...
 aquecer a Alma enquanto Te espero.
Já aqui estava... 
Mas viajo de quando em vez...

8 de julho de 2013

Hoje

Encho o peito e coloco um pé no chão.
e... estou no Agora. 
mais um dia, sendo o único que importa.
e o de amanhã terá a importância deste.
e todos os dias, respiro, inspiro, encho-me de coragem, sonho, sorrio e venham mais.
porque só me importa este.
agradeço-Te por continuar viva, pelas minhas princesas, por tudo o que atraio, pelas almas bonitas, pelas menos bonitas. Pelo que amo, pelo que me doi, pelo que me acarinha.
agradeço-Te por me permitires ter esta capacidade, por nao Te culpar daquilo que colho, por não te julgar pelo que escolho.
e sou em Ti o que és em mim.
Amor.

encho o peito e peço-te o que em humildade sinto que mereço.
Compaixão.

Encho o peito de luz verde água em purpurinas de sonhos e cores.
Encho o corpo de luz violeta em comunhão com os raios dourados do Teu sorriso.

E se um dia não conseguir fazê-lo, trata-me como criança fosse, e perdoa-me.

Agora... é apenas o que é.
Eu... sou apenas eu
Tu... és o Universo que me guarda e me ampara.
O Mundo... é aquele dos meus sonhos
o Amor... é apenas o incondicional...
o resto. não importa
faz parte do pó que assenta.
o Sorriso, é o das minhas filhas.
o grito... é quando me dói a alma.
o silêncio, quando nao forem necessarias mais palavras.

e Feliz será esse silêncio. de uma forma ou de outra.
Ainda que triste,
Grata sou.
Shanti

22 de maio de 2013

Descalça

Tenho o peito e a Alma em modo de mãos cerradas... com tanto para escrever, tanto sentir, tanto chorar, tanto sorrir. Tenho o Mundo e a Consciência Divina e Humana a bater-me à porta... devagarinho... para não me doer muito.
Tenho os sonhos em Mim, porque Graças a Deus me mantenho assim.
Vejo a Vida a passar-me ao lado, o meu sorriso em curtas-metragens como se já não fosse o meu.
Vejo a Luz, em reflexo da minha Gratidão, por não esquecer quem sou, mesmo não o sendo agora.
Mas estou aqui... ainda estou aqui...
E se Me ouves... se Me vês... ainda não desisti.
Dá-me então alento para me descalçar de tanto e ir por aí...

Que assim seja

Que assim seja
Que assim seja.


Shanti.

19 de março de 2013

O que aprendi

Que a minha Herança é a vida que me corre nas veias,
que as marcas são apenas as que deixo na minha jornada,
que os sonhos são de cada um,
que a centelha não se transmite sem que se sinta.

Aprendi que honrar alguém não é permanecer nos seus atestados,
pisar as suas pisadas,
falar as suas palavras.
É simplesmente amar e respeitar pelo que me foram.
Simplesmente porque existiram.

Que vim ao mundo por mim para poder ser aos outros.
Que não posso agarrar-me e desculpar-me com os dias dificeis que permitiram que tivesse quando não podia defender-me.
Não teria a capacidade de entendê-lo simplesmente porque sei que não o faria.
Sem julgamentos, sem muros de lamentações.
Aprendi que o único sentimento São, por mais insano que por vezes pareça... é a gratidão.
Pelo bem e pelo mal.
E que tenho sempre o livre arbítrio para querer continuar a aprender ou não.

Aprendi... que apreendi muita coisa, mas não aprendi tanta coisa assim.
Apenas no levantar-me depois da queda, no suspirar depois da gargalhada, no chorar depois da perda, no sorrir perante as pequenas coisas da vida.

Aprendi que não tem que haver uma razão ou um dia especial para recordar alguém, mas devia haver para Amar alguém.
Esquecemos o mais importante... o que deveria ser o nosso oxigénio todos os dias.
Aprendi que é possivel morrer aos poucos e continuar a respirar sem vida.
Mas, são somente minhas as marcas, as pisadas, as jornadas... e a mim só responsabilizo.
Obrigada Pai desta e de outras vidas,
esta sou eu.

Grata a mim e ao Universo por Ti.

5 de março de 2013

Fragilidades

Sei onde reside a minha Força, sei onde vou encontrar ar para respirar se me sufocarem na dor.
Conheço as minhas armas e a minha arte.
E como reflexo de mim no Teu rio, sei onde reside a minha Fragilidade.

E quando me escondo do mundo, o silêncio de baixar os braços, permite-me ouvir...

O escuro de ser só, permite-me ver...
Que sou forte... porque sou frágil.
E por Amor, não me rendo.
Shanti.

25 de outubro de 2012

Loreena McKennitt - Never-ending Road (Amhrán Dui)

E na Paz de mim, quando consigo rever-me, olhar-me...
entendo as mil coisas que me pesam. 
Sendo que... são as mesmas mil penas que me elevam.
E na queda tento abrir as asas. E na dor a minha alma se ergue.
Por sentir ambas...
Surge uma melodia de anjos, um brilho de amanhecer.
Surge o Amar, de um chorar.
Da uma lamacenta e escura noite, nasce a Flor que me Sou.
Efémera mas de perfume eterno.



4 de outubro de 2012

Terapias de Reiki

E com a vinda do Outono, a árvore que sou e que somos quer despojar-se de suas folhas e dar os seus frutos... para alimentar os que nos são e pintar a aguarela do universo. 
E, com a vinda do Outono, que os bons ventos soprem e nos guiem, que as folhas tornem a nossa jornada menos só e possamos ouvir a sua música :)

Sempre de mãos dadas, aqui estou, grata por poder ser uma mão que se estende.

Que assim seja********* Shantiiiiii.


10 de julho de 2012

Escolher seguir um trilho e deixar o coração ao lado... achando que se pode pegar nele e sentir as coisas quando conveniente... nunca resulta... 
é como criar na nossa alma universos diferentes.
é a ilusão de querer o melhor de dois mundos... quando no fundo... criamos vazios no nosso reflexo, ecos de nada no nosso peito. É Fingir que não se ama, que se desconhece a centelha do sentir. E um dia... quando estenderes a mão para o teu coração... corres o risco de já não saber como fazê-lo.


genna




‎''Para onde quer que fores, vai todo, leva junto teu coração.''


Confucio

1 de junho de 2012

e quando sentires o silêncio e a não existência,
de ti mesma, da magia, do sonho...
a desilusão num gesto, num tempo mudo, num ser surdo...
abraça o mundo que te é mais real e fiel.
O teu...
a música, o vento, o mar, o teu céu violeta, a tua fé, a oração, o coração, a compaixão, a criança.
quando sentires falta de um abraço... abraça uma árvore
falta de inspiração, contempla o mar e a tua criação.
e naquele momento em que dar um passo te permite ver o abismo...

talvez signifique que ele apenas ficou para trás.

há dias assim...

5 de novembro de 2011

antes


finjo que são muralhas.
construídas por seres que antes de o ser já o eram,
esculpidas por momentos, que antes de um céu foram sombra.
finjo que são fotos,
tiradas por um Deus,
curioso e criança no brincar...
e no fim, que somos um livro com gravuras de sentires, olhares dores e amores.
finjo no fundo... que finjo.
a ser poeta ou não,
o que sei é que o sinto...
escreva ou não.
porque antes de o escrever já sentia.
antes de amar já amava,
antes de chorar já sorria,
antes de sorrir, já chorava.
e que majestosas muralhas... e que lindo este céu violeta com ventos de nortada a embalar o sonho.

15 de julho de 2011

Alma

Chegou o comboio que esperava... observo, levanto-me do banco frio, entro, sento-me e digo-me preparada para seguir.
Vou procurá-la... penso. A minha Alma... vou beber cada gota de sabedoria desta viagem... imagino.
Cerro as mãos.... escondo o rosto de mim mesma e não olho para trás... e, já está... estou a caminho!
... e na paragem seguinte, olho pela janela e vejo... vejo-me...
sentada naquele mesmo banco à espera de um comboio que me leve na busca da minha Alma.
E sinto que não posso prosseguir viagem... pois tem que seguir tudo em mim... não pode haver aquele vazio... cheio de algo. E saí...
É mesmo frio este banco. Durante alguns minutos observei o meu bilhete na tentativa de achar resposta... talvez tenha comprado o bilhete errado... talvez esteja no sentido inverso, talvez do outro lado... será?
E agora? Quando virá um próximo? E o que faço agora? Como ver sentido em algo aqui?
... Que raio... estou de novo mais pequena que a minha Lua... e pensar que tinha crescido :(
E que a Saga continue.
E que o vento sopre, como soprou nesse dia junto ao meu ouvido com a resposta:
"compraste bilhete de ida e volta fada tola... "
foi curta a minha viagem, rsrsrsrsr
Vou voltar para a minha floresta e para o meu lago. 
Talvez na próxima Estação... prefiro Primavera ou Verão :)

17 de fevereiro de 2011

uma historia

 
os meus braços embargam o universo, como se crescesse folhagem em cada vontade
o meu peito, abre-se em ecos de entrega... como o abrir de mil pétalas de preces
os meus olhos, são água...
os meus sonhos... são pequenos murmúrios, pequenos segredos, pequenos momentos.
e busco em mim, inerte, apaixonada pela simplicidade do que não me pertence
o não querer mais nada, por sentir o que me é.
e quero abrir pandoras e libertar-me
e quero sorrir historias e erguer-me
e quero beijar memórias e perdoar-me
por as ter... por as ser... por as perder
os meus braços... abraçam-te, reflexo de mim.
desenham-te infância, sombra de mim
os meus lábios, sussurram ao tempo que já não lhe pertenço.
o Tempo afaga-me o rosto e segreda-me...
Pertenço a Ti.
Shanti.

11 de fevereiro de 2011

Viver sem escolhas

Não há necessidade de escolher. Por que não viver sem escolhas?
Por que não viver tudo o que a vida coloca à sua disposição? 
Não seja um espiritualista e não seja um materialista: seja ambos. 
Não seja um Zorba e não seja um Buda; 
seja ambos: Zorba, o Buda. 
Aproveite tudo o que Deus derramou sobre você. Osho

25 de dezembro de 2010

limbo

No limbo do sentir, na trave do entristecer,

na berma do amanhecer só.

Tento manter a destreza dos tolos,

imaginando que tenho nos pés raízes,

Que tenho nas mãos penas violeta,

Que tenho no peito…

um baú, de tesouros e magos.

De segredos e salmos.

Faço-me de momentos,

Refaço-me de tempos,

Desfaço-me de espera.

Respiro o que há em mim,

Perfume da chuva,

Aroma de Outono,

Hidrato-me de ventos e nortadas…

E envelheço na folhagem seca,

Sonhando-me sempre jovem na Primavera do desejo.

E fico-me, no limbo…

Sentindo.

21 de dezembro de 2010

Sorri Alma.

Sorri perante a nortada dos tristes,

E dança-lhes o caminho.

Encanta as sombras de quem és,

Abraça a vida de quem te lamenta…

E dança na calçada penumbra

dos que não sentem a música.

Dorme embalado pelo sonho,

sonha sussurrado pelo vento,

e sorri.

Sorri para mim.

Um outro lado deste chão… Uma outra dimensão, Um caminho de perder.

Uma Vida de sorrisos,

Armaduras e vestidos

De corpetes de cetim…

O esbanjar da própria espécie

Delírios que se julgam prece…

Que se estendem em louvor,

Erguendo almas sem calor…

Um outro lado deste chão…

Onde caminha o tempo em vão.

Um outro olhar de quem não vê…

Que sou eu, que sou assim, que estou aqui.

Descalça neste chão de pedra.

Cega neste templo frio.

Surda neste frenesim…

Muda…

Para ti.

Um outro lado,

De mim.

27 de novembro de 2010

dançamos

malabarismos da consciência... conscientes ou não. pé ante pé, degrau a degrau, um dia de cada vez. se sobe... a euforia despista o sentir, se desce... a voz emudece a alma. malabarismos de querer, curvas de perder, medos de ser. e nesta valsa, somos o que queremos... queremos o que não somos, amamos o que dançamos. e pedimos ao Universo um tango, que nos desapegue do sentimento mudo, quieto e ausente. e esperamos somente o calor... e deixamos de esperar o Amor. não ter frio... tem que ser suficiente.

13 de novembro de 2010

neblina


diferentes as formas de sentir, o lamento de perder, o gemido de doer. 
diferentes as madrugadas de solidão, o apego ao dizer que não, a vontade de querer. 
 a neblina que te invade, ou o sol que me magoa, a luz que te embarga, ou o negro que me assombra. 
o frio da tua ausência, ou o calor da minha presença. 
diferentes... presentes distantes, amantes. 
 no vexo paralisante que é em mim, sinto-te, gosto-te, mostro-te. a minh'alma, 
a meu ser. e enlaço o meu sorriso em cada amanhecer. 
para não nos ver sofrer. 
e danço-te quando a coragem tremer, de abraços e amores, de ternuras e de cores.

7 de novembro de 2010

cousas

Respira a tua dor…

Sente os soluços de entorpecimento da alma

E transforma.

Ergue um monumento de saberes e sentires,

E declina o teu jeito imperfeito em louvor a ti mesmo.

Respira o sentido de todas as cousas,

E Ama o sorriso e a dança.

E goza o silêncio da Contradança.

Respira o meu Ser,

O meu mar,

E sussurro-te o Amanhecer…

Sem pressas…

Bem devagar.

1 de novembro de 2010

em silêncio

Num deslize de alma em cetim,

De azul de toque, púrpura de mim…

Num respirar de senso em neblina,

Densa de porquês, lâmina fina.

Deixo passar.

Deixo de respirar.

Torno-me invisível para ti.

Finge que não me vês então,

Para que minh’alma se torne pequenina.

Finge que não sorris quando danço,

Para não me sentir rainha.

E na ausência, de sim…

Sou somente um talvez.

12 de julho de 2010

O Sonho.

O Sonho… em mim dorme, em mim esquece.

A Vida… acorda as suas pétalas

como se Primavera fosse em cada dia que passa.

As Palavras… dançam valsas ao som de pianos e violinos,

convidando borboletas, fadas e meninos.

A Música… acarinha cada anjo que passa,

Embalando os céus de encontros e desencontros.

O Olhar… estremece de desalento

Na busca incansável do momento.

E eu, e tu, e nós…

Somos a árvore.

Aquela que é… que cria, que canta, que dança, que chora

Mas que permanece.

E somos tudo e somos nada,

E somos o que basta…

e toda a imensidão da nossa eterna criança.

E toda a dimensão que o nosso sonho alcança.

Aquele que dorme, aquele que esquece.

4 de junho de 2010

quando tropeçamos...

e não caímos de joelhos...

mergulhamos no mar de ausência de palavras, de sussurros, de vento.

mergulhamos no silêncio outrora reconfortante

e sentimos a vida a passar por entre os dedos como areia que não se vê, só se sente.

Aquele esvair de sentido, aquela dor fininha da lâmina da vida, trespassa-nos e deixa-nos apenas a alma em dor.

Dói o corpo, dói a profundidade do toque, dói o olhar o chão como se um espelho fosse.

Apenas dói... apenas corrói.

Mas... reconstrói.

E no erguer para um novo esforço de respirar, buscamos o alento das árvores, da folhagem, dos sorrisos, das fadas, dos duendes, das cores, do som.

E buscamos o ouvir de novo, o sentir de novo, o olhar de novo.

e buscamos buscamos buscamos, mesmo na inércia.

E esperamos...

sorrir novamente, largar o peso das asas...

E voar.

De mãos dadas com o universo que parecia de costas viradas,

pedimos com a humildade de quem nada lhe pertence, de quem nada lhe é.

Que assim seja, assim seja , assim seja.

Com Amor, desesperança, fé.

Um dia de cada vez... só por hoje...

5 de abril de 2010

Te canta uma canção na rua em que morei, 
Essa soturna voz há de contar-te, amigo 
Por essa rua minha os sonhos que sonhei! 
 Fala d'amor a voz em tom enternecido, 
Escuta-a com bondade. 
O muito que te amei 
Anda pairando aí em sonho comovido 
A envolver-te em oiro!... 
Assim s'envolve um rei! 
 Num nimbo de saudade e doce como a asa 
Recorta-se no céu a minha humilde casa 
Onde ficou minh'alma assim como penada 
 A arrastar grilhões como um fantasma triste. 
É dela a voz que fala, é dela a voz que existe 
Na rua em que morei... Anda crucificada!

 Florbela Espanca