Quarta-feira, 7 de Dezembro de 2011

sentires


de mãos abertas estendidas ao universo
como quando se espera a chuva numa entrega de alma.
de olhos brilhando em cumplicidade e denuncia do que se sonha receber...
um pequeno gesto, um sorriso, uma palavra,
um pequeno passo, um arrebatar do minuto... um dizer que sim.

de mãos abertas... rosto erguido e olhos virados para o que se sente e não o que se vê.
assim se vive um dia de cada vez, na esperança ou certeza para os mais audazes,
de que tudo passa, de que tudo é nada quando se Ama.

de mãos fechadas por vezes... punhos severamente cerrados, como se pudessem impedir a vida de passar.
olhos sem alma por vezes...
rosto amargo por vezes...
mas só um dia, de cada vez.

e o Sol nasce novamente,
e a Lua brilha quando se sente,
e tudo passa, e tudo é nada.
fechando o olhos... e sonhando acordada.
shanti....

Sábado, 5 de Novembro de 2011

antes


finjo que são muralhas.
construídas por seres que antes de o ser já o eram,
esculpidas por momentos, que antes de um céu foram sombra.
finjo que são fotos,
tiradas por um Deus,
curioso e criança no brincar...
e no fim, que somos um livro com gravuras de sentires, olhares dores e amores.
finjo no fundo... que finjo.
a ser poeta ou não,
o que sei é que o sinto...
escreva ou não.
porque antes de o escrever já o sentia.
antes de amar já o amava,
antes de chorar já o sorria,
antes de sorrir, já o chorava.
e que majestosas muralhas... e que lindo este céu violeta com ventos de nortada a embalar o sonho.

Sexta-feira, 15 de Julho de 2011

Alma

Chegou o comboio que esperava... observo, levanto-me do banco frio, entro, sento-me e digo-me preparada para seguir.
Vou procurá-la... penso. A minha Alma... vou beber cada gota de sabedoria desta viagem... imagino.
Cerro as mãos.... escondo o rosto de mim mesma e não olho para trás... e, já está... estou a caminho!
... e na paragem seguinte, olho pela janela e vejo... vejo-me...
sentada naquele mesmo banco à espera de um comboio que me leve na busca da minha Alma.
E sinto que não posso prosseguir viagem... pois tem que seguir tudo em mim... não pode haver aquele vazio... cheio de algo. E saí...
É mesmo frio este banco. Durante alguns minutos observei o meu bilhete na tentativa de achar resposta... talvez tenha comprado o bilhete errado... talvez esteja no sentido inverso, talvez do outro lado... será?
E agora? Quando virá um próximo? E o que faço agora? Como ver sentido em algo aqui?
... Que raio... estou de novo mais pequena que a minha Lua... e pensar que tinha crescido :(
E que a Saga continue.
E que o vento sopre, como soprou nesse dia junto ao meu ouvido com a resposta:
"compraste bilhete de ida e volta fada tola... "
foi curta a minha viagem, rsrsrsrsr
Vou voltar para a minha floresta e para o meu lago. Talvez na próxima Estação... prefiro Primavera ou Verão :)

Sábado, 12 de Março de 2011

Quinta-feira, 17 de Fevereiro de 2011

uma historia


os meus braços embargam o universo, como se crescesse folhagem em cada vontade
o meu peito, abre-se em ecos de entrega... como o abrir de mil pétalas de preces
os meus olhos, são água...
os meus sonhos... são pequenos murmúrios, pequenos segredos, pequenos momentos.

e busco em mim, inerte, apaixonada pela simplicidade do que não me pertence
o não querer mais nada, por sentir o que me é.

e quero abrir pandoras e libertar-me
e quero sorrir historias e erguer-me
e quero beijar memórias e perdoar-me
por as ter... por as ser... por as perder

os meus braços... abraçam-te, reflexo de mim.
desenham-te infância, sombra de mim

os meus lábios, sussurram ao tempo que já não lhe pertenço.

o Tempo afaga-me o rosto e segreda-me...

Pertenço a Ti.

Shanti.

Sexta-feira, 11 de Fevereiro de 2011

Viver sem escolhas

Não há necessidade de escolher. Por que não viver sem escolhas? Por que não viver tudo o que a vida coloca à sua disposição?
Não seja um espiritualista e não seja um materialista: seja ambos. Não seja um Zorba e não seja um Buda; seja ambos: Zorba, o Buda.
Aproveite tudo o que Deus derramou sobre você.

Osho

Domingo, 9 de Janeiro de 2011

outra partilha...


Parti sem sentido, e encontrei...
tanto procurei e encontrei.
Encontrei nas pequenas coisas o brilho da grande força.
Encontrei no sol o calor que precisava para aquecer o meu coração,
encontrei nas crianças o sorriso que fez voltar a bater o meu
coração.
Encontrei aquela pessoa que nos faz dar boas gargalhadas e ver a
vida com outros olhos,
mas, acima de tudo aprendi a saber viver.
Encontrei no pôr-do-sol o encanto sem o qual não posso viver e nas
águas cristalinas a pureza que pensei vir a perder.
Encontrei na música a força mais profunda que há em mim e dancei sem
parar, pensando quando a força me iria faltar.
Mas não faltou! E vi que a vida é isso mesmo...
Pensamos que não temos mais força para ir além e bastam pequeninas
coisas para que olhemos para dentro de nós e vejamos que a força que
julgávamos não ter, é muito, mas muito maior, e é ilimitada!

Encontrei nas minhas fantasias, as minhas forças, os meus sorrisos,
mas acima de tudo, encontrei-me a mim mesmo e estou feliz.
O brilho dos meus olhos voltou a falar mais alto!!!

RD


que bonito e teu "Reencontro" amigo.
beijinho.

Sábado, 25 de Dezembro de 2010

limbo

No limbo do sentir, na trave do entristecer,

na berma do amanhecer só.

Tento manter a destreza dos tolos,

imaginando que tenho nos pés raízes,

Que tenho nas mãos penas violeta,

Que tenho no peito…

um baú, de tesouros e magos.

De segredos e salmos.

Faço-me de momentos,

Refaço-me de tempos,

Desfaço-me de espera.


Respiro o que há em mim,

Perfume da chuva,

Aroma de Outono,

Hidrato-me de ventos e nortadas…

E envelheço na folhagem seca,

Sonhando-me sempre jovem na Primavera do desejo.

E fico-me, no limbo…


Sentindo.

Terça-feira, 21 de Dezembro de 2010

Sorri Alma.

Sorri perante a nortada dos tristes,

E dança-lhes o caminho.

Encanta as sombras de quem és,

Abraça a vida de quem te lamenta…

E dança na calçada penumbra

dos que não sentem a música.

Dorme embalado pelo sonho,

sonha sussurrado pelo vento,

e sorri.

Sorri para mim.

Um outro lado deste chão…
Uma outra dimensão,
Um caminho de perder.

Uma Vida de sorrisos,

Armaduras e vestidos

De corpetes de cetim…

O esbanjar da própria espécie

Delírios que se julgam prece…

Que se estendem em louvor,

Erguendo almas sem calor…

Um outro lado deste chão…

Onde caminha o tempo em vão.

Um outro olhar de quem não vê…

Que sou eu, que sou assim, que estou aqui.

Descalça neste chão de pedra.

Cega neste templo frio.

Surda neste frenesim…

Muda…

Para ti.

Um outro lado,

De mim.

Terça-feira, 14 de Dezembro de 2010

Partilha


Hoje uma pergunta fez-me pensar… Devia estar com um ar de quem está longe, muito longe de tudo e de todos quando ouvi uma voz vinda do lado:
- “Rui… tu sonhas?”
Olhei e sorri… não ousei comentar, e em vez de falar, voltei com o meu olhar para o fundo da sala, e para mim mesmo respondi:
- “Sonho desde que acordo, até que me deito… Sonho de olhos abertos, e de olhos abertos procuro encontrar sinais quem me façam acreditar que vale a pena sonhar". Parafraseando alguém: “O sonho comanda a vida”
Resta me apenas sonhar… Eu sei que esse dia vai chegar… .

--

RD
E vamos sonhando... e respirando.
Sorri meu Amigo. Shantiiii

Sábado, 27 de Novembro de 2010

dançamos


malabarismos da consciência...
conscientes ou não.
pé ante pé,
degrau a degrau,
um dia de cada vez.

se sobe... a euforia despista o sentir,
se desce... a voz emudece a alma.

malabarismos de querer,
curvas de perder,
medos de ser.

e nesta valsa, somos o que queremos...
queremos o que não somos,
amamos o que dançamos.

e pedimos ao Universo um tango,
que nos desapegue do sentimento
mudo, quieto e ausente.
e esperamos somente o calor...
e deixamos de esperar o Amor.

não ter frio... tem que ser suficiente.

Sábado, 13 de Novembro de 2010

neblina

diferentes as formas de sentir,
o lamento de perder,
o gemido de doer.
diferentes as madrugadas de solidão,
o apego ao dizer que não,
a vontade de querer.

a neblina que te invade, ou o sol que me magoa,
a luz que te embarga, ou o negro que me assombra.
o frio da tua ausência, ou o calor da minha presença.

diferentes... presentes
distantes, amantes.

no vexo paralisante que é em mim,
sinto-te, gosto-te, mostro-te.
a minh'alma, a meu ser.

e enlaço o meu sorriso em cada amanhecer.
para não nos ver sofrer.
e danço-te quando a coragem tremer,
de abraços e amores,
de ternuras e de cores.

Domingo, 7 de Novembro de 2010

cousas

Respira a tua dor…

Sente os soluços de entorpecimento da alma

E transforma.

Ergue um monumento de saberes e sentires,

E declina o teu jeito imperfeito em louvor a ti mesmo.

Respira o sentido de todas as cousas,

E Ama o sorriso e a dança.

E goza o silêncio da Contradança.

Respira o meu Ser,

O meu mar,

E sussurro-te o Amanhecer…

Sem pressas…

Bem devagar.

Segunda-feira, 1 de Novembro de 2010

em silêncio

Num deslize de alma em cetim,

De azul de toque, púrpura de mim…

Num respirar de senso em neblina,

Densa de porquês, lâmina fina.

Deixo passar.

Deixo de respirar.

Torno-me invisível para ti.

Finge que não me vês então,

Para que minh’alma se torne pequenina.

Finge que não sorris quando danço,

Para não me sentir rainha.

E na ausência, de sim…

Sou somente um talvez.

Segunda-feira, 12 de Julho de 2010

O Sonho.


O Sonho… em mim dorme, em mim esquece.

A Vida… acorda as suas pétalas

como se Primavera fosse em cada dia que passa.

As Palavras… dançam valsas ao som de pianos e violinos,

convidando borboletas, fadas e meninos.

A Música… acarinha cada anjo que passa,

Embalando os céus de encontros e desencontros.

O Olhar… estremece de desalento

Na busca incansável do momento.

E eu, e tu, e nós…

Somos a árvore.

Aquela que é… que cria, que canta, que dança, que chora

Mas que permanece.

E somos tudo e somos nada,

E somos o que basta…

e toda a imensidão da nossa eterna criança.

E toda a dimensão que o nosso sonho alcança.

Aquele que dorme, aquele que esquece.

Sexta-feira, 4 de Junho de 2010


quando tropeçamos...

e não caímos de joelhos...

mergulhamos no mar de ausência de palavras, de sussurros, de vento.

mergulhamos no silêncio outrora reconfortante

e sentimos a vida a passar por entre os dedos como areia que não se vê, só se sente.

Aquele esvair de sentido, aquela dor fininha da lâmina da vida, trespassa-nos e deixa-nos apenas a alma em dor.

Dói o corpo, dói a profundidade do toque, dói o olhar o chão como se um espelho fosse.

Apenas dói... apenas corrói.

Mas... reconstrói.

E no erguer para um novo esforço de respirar, buscamos o alento das árvores, da folhagem, dos sorrisos, das fadas, dos duendes, das cores, do som.

E buscamos o ouvir de novo, o sentir de novo, o olhar de novo.

e buscamos buscamos buscamos, mesmo na inércia.

E esperamos...

sorrir novamente, largar o peso das asas...

E voar.

De mãos dadas com o universo que parecia de costas viradas,

pedimos com a humildade de quem nada lhe pertence, de quem nada lhe é.

Que assim seja, assim seja , assim seja.

Com Amor, desesperança, fé.

Um dia de cada vez... só por hoje...

Segunda-feira, 5 de Abril de 2010

Escuta, amor, escuta a voz que ao teu ouvido
Te canta uma canção na rua em que morei,
Essa soturna voz há de contar-te, amigo
Por essa rua minha os sonhos que sonhei!

Fala d'amor a voz em tom enternecido,
Escuta-a com bondade. O muito que te amei
Anda pairando aí em sonho comovido
A envolver-te em oiro!... Assim s'envolve um rei!

Num nimbo de saudade e doce como a asa
Recorta-se no céu a minha humilde casa
Onde ficou minh'alma assim como penada

A arrastar grilhões como um fantasma triste.
É dela a voz que fala, é dela a voz que existe
Na rua em que morei... Anda crucificada!

Florbela Espanca

Sexta-feira, 19 de Fevereiro de 2010

"as estradas são para as jornadas, não para os destinos" (Anna e o Rei)

parece que mergulhei, que escutei o mundo dentro de água e adormeci por momentos,
com a mente em murmúrio, achando tudo tão bonito quando em silêncio.

mas deixei fluir, e deixei-me emergir.
sem controle, sem pensar, sem julgar, sem... agir
e senti aquela luz de quem volta ao mundo,
e senti o calor do sol no rosto,
e senti que, ainda estou aqui.

vou tentar sair das minhas águas de silêncio
e sorrir para ti.
caminhando e dançando por essa estrada.

em direcção a um castelo de nuvens, para os braços de um Rei.

thank you...

Sábado, 2 de Janeiro de 2010

Tempo


Vou refugiar-me nele.
Dançar a sua melodia, ouvir o seu canto, dormir no seu leito.
Vou não ser, não sentir, não esperar.
Vou caminhar no presente que é tempo... não o que há-de vir... que é mente.
E não quero mente, quero apenas silêncio.

Quero apenas sorrir, chorar se tiver que ser, correr, namorar a eternidade em mim.

Um Ano bonito para Todos cheio de Amor!
De mãos estendidas e Coração Aberto... Toda a Luz deste e de outros Mundos para Voçês.
Om Santi!

Sexta-feira, 13 de Novembro de 2009

provas


Quando tropeçamos... e caímos de joelhos.
Quando eles nos mostram que somos apenas partículas...
De algo grande sim... mas apenas partículas.
Quando nos consciencializamos do quanto somos iguais aos olhos do Universo.
Que mesmo que o lance de escadas seja diferente ou mais alto...
Mesmo que a nossa jornada seja de alma antiga...
Mesmo que a "nossa" luz seja mais expandida...
Maior a queda, mais grave o sofrimento,
Mais densa a escuridão.
Quando paramos de pensar ou sentir...
E simplesmente deixamos que o nosso Ser seja.
Tudo é simples, mas não isento de dificuldade.
Tudo é nada, mas não vazio.
Tudo faz sentido… mas requer força, espírito, dedicação… serenidade.
Tudo está certo… mesmo que errado.

Por tudo se deve ser grato, mesmo que a nossa mente diga ao coração que não é justo.

Porque tudo se compõe, se completa.
Aquele tudo… que é nada.

E tudo fica bem.
Tudo fica melhor.
Tudo evolui.

Quarta-feira, 11 de Novembro de 2009

osho

Hoje deparei-me com estas palavras... não podia deixar de as colocar aqui.

Namastê


"Todo o amor do mundo pode ser dado a você, mas, se você decidir ser infeliz, permanecerá infeliz. E você pode ser feliz, imensamente feliz, por absolutamente nenhuma razão - porque a felicidade e a infelicidade são decisões suas.
Leva muito tempo para perceber que a felicidade e a infelicidade dependem de você, porque é muito confortável para o ego achar que os outros estão fazendo você infeliz. O ego insiste em dar condições impossíveis, e ele diz que primeiro essas condições precisam ser satisfeitas e somente então você poderá ser feliz. Ele pergunta como você pode ser feliz em um mundo tão feio, com pessoas tão feias, em uma situação tão feia.
Se você observar correctamente, rirá de si mesmo.

É ridículo, simplesmente ridículo.
O que você está fazendo é absurdo.
Ninguém está nos forçando a fazer isso, mas insistimos em fazê-lo - e gritamos por socorro.
E você pode simplesmente sair disso; trata-se de seu próprio jogo - ficar infeliz e depois pedir simpatia e amor.
Se você estiver feliz, o amor fluirá em sua direcção... não há necessidade de pedi-lo.

Essa é uma das leis básicas.
Exactamente como a água flui para baixo e o fogo flui para cima,
o amor flui em direcção à felicidade”.

Terça-feira, 27 de Outubro de 2009

a minha escuridão


Enquanto divagava por outras escritas, outras imagens...
fiz uma pequena pausa em mim... naquela procura de todos os dias.
Aquela busca incansável, abundante em regozijo... mas também plena de pequenos vazios, pequenas tristezas.
A procura de um "lugar iluminado"... de um canto de luz que nos consola e nos acarinha depois de uma longa jornada de lutas interiores, de batalhas de se ser, de não se ser, de se ter, de não se ter.
Aquela Luz, aquele brilho que nos aquece a alma como o sol num dia de Inverno.
E por momentos... senti vontade de me aninhar no escuro. Senti saudades do nada, de não esperar nada, não ver nada.
E pensei que nenhum lugar seria mais seguro naquele momento do que a minha própria escuridão. Senti que… se não tiver medo, posso ali ficar.
E se não tenho medo, não invoco a luz, não a peço nas minhas conversas com os deuses. Não peço o amanhecer, não peço o luar, não peço a lanterna de me achar perdida.
Sinto apenas, o consolo da mãe terra, o alento do pai céu... Sinto-os em fusão…
E cheios de Amor, estendem-me a mão. Ali mesmo… naquela escuridão. Posso chamar-lhe luz se quiser… mas não tenho medo. Pelo menos hoje…

Sexta-feira, 23 de Outubro de 2009

Osho

Um homem foi até Lin Chin e disse: “Meu mestre é um grande médium. O que você tem a dizer sobre o seu mestre? O que ele pode fazer, que milagres faz?”

Lin Chin perguntou: “Que tipo de milagres seu mestre tem feito?”

O discípulo disse: “No outro dia ele me disse para atravessar o rio e ficar na outra margem, segurando um pedaço de papel na mão. O rio era muito largo, quase dois quilómetros. Ele estava do outro lado do rio e começou a escrever com uma pena, e sua escrita apareceu em meu papel. Eu mesmo presenciei isso, sou testemunha! O que seu mestre é capaz de fazer?”

Lin Chin disse: "Quando está com fome, come, e quando tem sono, dorme.”

O outro falou: “Do que você está falando? Chama isso de milagres? Todos fazem essas coisas!”

Lin Chin respondeu: “Engano seu: ninguém faz isso. Quando você dorme, faz mil e uma coisas. Ao comer, pensa em mil e uma coisas. Mas, quando meu mestre dorme, ele apenas dorme: não fica se mexendo, não se vira, sequer sonha. Apenas o sono existe naquele momento, nada mais. E quando sente fome, ele come. Ele sempre está exactamente no lugar onde ele está.”

Qual o sentido de escrever de uma margem do rio para a outra? Isso é pura tolice. Apenas os idiotas se interessariam por isso. Qual o sentido?

Um homem disse a Ramakrishna que seu mestre era um grande homem, pois podia caminhar sobre a água.

Ramakrishna respondeu que isso era idiota, pois ele podia ir até o barqueiro e, em troca de algumas moedas, o barqueiro o levaria até o outro lado. “Seu mestre é um tolo. Vá e faça-o perceber que ele não deve ficar desperdiçando sua vida com coisas tão simples.”

Mas a mente está sempre desejando algo. A mente não é nada além disso; um desejo constante de que alguma coisa aconteça.

Algumas vezes está pensando em dinheiro, em ter mais dinheiro, em ter casas maiores, mais respeito, mais poder político. Então você se volta para a espiritualidade, mas a mente continua a mesma. Agora deseja ter mais poderes psíquicos, telepatia, clarividência e outras tolices do mesmo género. Mas a mente permanece a mesma, querendo mais, sempre mais. Continua no mesmo jogo.

Agora é telepatia, clarividência, poderes psíquicos: “Se você pode fazer isso, eu posso fazer mais que isso. Posso ler o pensamento das pessoas a quilómetros de distância.”

A vida em si já é um milagre, mas o ego não está pronto para aceitar isso. Ele quer algo especial, algo que ninguém mais esteja fazendo, algo extraordinário.

(Om Shanti Ramaji... vou voar e escutar a música. Beijinho)