Shanti

3 de dezembro de 2008


em pleno domínio da minha inércia...

na decadência dos meus passos,

do não saber escrever, sentir, querer...


vou decididamente contemplar o que não me pertence,

o que perdi, o que um dia vivi... e parar por uns tempos.


hushhhhhh.... que se faz tarde, o silêncio não doi tanto como arde.

14 de novembro de 2008


vou sentar-me ali...
carregar nos ombros a Lua do Infortunio...
e decidir se vou continuar esta inércia...
vou tentar olhar o horizonte e esquecer a paz podre das águas paradas... vou tentar imaginar-me ali, no meu oceano de pandoras, no meu mundo medieval de ondinas entre lírios de mar.

21 de julho de 2008

o nosso amigo neruda

A Dança

Não te amo como se fosses a rosa de sal, topázio
Ou flechas de cravos que propagam o fogo:
Te amo como se amam certas coisas obscuras,
Secretamente, entre a sombra e a alma.
Te amo como a planta que não floresce e leva
Dentro de si, oculta, a luz daquelas flores,
E graças a teu amor vive escuro em meu corpo
O apertado aroma que ascendeu da terra.
Te amo sem saber como, nem quando, nem onde,
Te amo assim diretamente sem problemas nem orgulho:
Assim te amo porque não sei amar de outra maneira,
Senão assim deste modo que não sou nem és,
Tão perto que tua mão sobre o meu peito é minha,
Tão perto que se fecham teus olhos com meu sonho.
Antes de amar-te, amor, nada era meu:
Vacilei pelas ruas e as coisas:
Nada contava nem tinha nome:
O mundo era do ar que esperava.
E conheci salões cinzentos,
Túneis habitados pela lua,
Hangares cruéis que se dependiam,
Perguntas que insistiam na areia.
Tudo estava vazio, morto e mudo,
Caído, abandonado, decaído,
Tudo era inalianavelmente alheio,
Tudo era dos outros e de ninguém,
Até que tua beleza e tua pobreza
De dádivas encheram o outono.

17 de março de 2008

incertezas



sofrer o sofrer de outros...
sintonia estranha.
sorrir em silêncio pela euforia que não me pertence...
esmorecer nas jornadas que não fiz.
curvar-me pelo cansaço do que não corri...
sentir-me na pele de tanta gente...
a escolher um caminho diferente.

encruzilhadas que um dia Alguém viu,
mas feitas de atalhos não só meus....
apenas tendo que indicar caminhos
com menos pedras...
com areias mais firmes...

não sei tudo..
não sei quase nada.



8 de março de 2008

alma gémea

6/03/08
cruzei-me com uma alma antiga
sensação efémera... como se todos os segredos e véus deste mundo se abrissem.
como o soar daquele vento que anuncia a tempestade... que te leva a a espreitar curiosa...
pela janela do mundo entreaberta...
luz que encadeia o reviver de momentos únicos,
foi apenas o cruzar,
súbito e sem retorno.

sonho,pensamento, ilusão, delírio, não sei...
...sei que me cruzei.

só lamento ainda não estar naquele lance de escadas em que esse vislumbre não magoa, apenas consola.
talvez um dia.

6/03/08

silêncio inquieto quando respiro.
só, neste meu mundo.
plena, quando não me olho.

o vento, embala-me num berço de saudade...
mas este frio... não o quero,
faz-me temer a verdade.

por olhos de criança, sigo as migalhas do destino
e busco nas nuvens a magia que a sustenta.
com dor ancestral, choro os medos de quem nega..
e em segredo.. sussurro aos anjos que me levem
que me soprem ao ouvido...
e espero
e sinto
e oiço.

não sei ler os sinais com intençoes terrenas,
sei no entanto que Os sinto sempre em mim,
como a água que bebo, o ar que respiro.
sinto os seus espinhos nas veias...
mas sei que quase nunca sou eu... que "eu" quase não existo.

29 de fevereiro de 2008


Encarar o inesperado como rotina
tarefa dos árduos
ambição de tolos
jogo de natos.
olhar de frente o que não se espera...
um abrir de olhos, um cerrar de mãos.
medo atroz, terror dos terrenos.

ou um respirar... curvar os sentidos e avançar a alma na densa floresta dos espíritos.
ou cair...
todo este encher de marés num segundo, num pestanejar, lacrimejar...
sinopse de luz, síncope de reflexos...
hemorragia de súplicas.

A Queda,
essa dói sempre.
A Dor... dilacera.
A Diferença... são as feridas:
umas saram , outras permanecem.
O Horizonte... esse... nunca mais é o mesmo.
O Som do Mundo, liga-se ao amplificador de almas...
Os gritos, os murmurios, os sentimentos, os pensamentos, o sorrir, o chorar, o lutar, desistir, resistir... é tudo som, tudo música
de uma Harpa fantasma
leitura de Pauta de Vidas.
28/02/08


14 de fevereiro de 2008

dissecation


sometimes i wonder if... if i take a glance on the blaze of your sorrow, if i cross over the valley of your shadow, will i discover your secrets?


will i find your way home? will i be able to actually help...


just sometimes, i wish i could be perfect for one secon, one lousy second... and wisper you the way.


(foto de Miguel Silva)

9 de fevereiro de 2008

silêncio


fecha os olhos e escuta-os...

sente-os...

declina a tua alma e rende-te aos que nada temem,

pois são eles que te guiam, são eles que decidem.

e que a saga da nossa vida continue!


para o meu amigo karmico...

que assim continue por muitas vidas.

8 de fevereiro de 2008

faltam-me as palavras... a vontade...
estou naquele meu estado de inércia, confusão espiritual, dor terrena.
a minha âncora por vezes parece a lua que carrego, como quem sustenta o mundo...
parece tão leve... mas a luz pesa eternidades
acho que entendo o porquê da minha âncora "incomodar" tanto o oceano,
ilumina uns, entristece outros.
lamento não conseguir o reflexo no rosto de todos os que amo.
custa-me aceitar que seja um preço justo a pagar...
custa-me ser este o meu alimento.
custa-me... mas entendo.
... cada vez mais...
e não, não quero morrer lentamente
só que... às vezes preferia ser apenas ar, espirito, pensamento...
é tortuosa a minha aterragem, desperta a minha inquietude a minha vontade de não querer descer.
mas ainda é tão cedo...

29 de janeiro de 2008


na curva da indecisão, olhas de lado e tremes...
quase sentes a sombra dos cobardes, segurando o véu da morte.
no degrau da evolução, a vertigem isola-te do mundo real...
quase sentes a carícia dos que derivam na má sorte.
na dor de quem és, na procura de quem foste, na antecipação de quem serás...
choras sem lágrimas... imploras sem voz... sofres sem dor.
e estendendo a alma, rezas por um sopro de alento...
roendo a mágoa, adormeces no tempo.
e vês fluir outra energia que não a tua...
sonhas-te menos só.
e sorris.



27 de janeiro de 2008

tormenta


a sensação é como se uma onda me invadisse e consigo sugasse toda a minha energia... como uma maré atormentada que derruba tudo e todos para depois arrastar consigo o caos que gerou. é estranho mas é como o consigo explicar. agonia, fraqueza e cansaço, um enorme cansaço. de que mar virás?... qual o vento que te sopra ao ouvido? que correntes te prendem? e que perigo ofereço eu? uma ancora no meio de um oceano... não sei, ainda não o entendo... só espero que tenha servido para algo... pois não me rendo!

14 de janeiro de 2008

joaninha voa voa


Cuecas e Travessuras!
Birras e Canduras!
6 aninhos... e já tão irreverente menina sininho...
;.)

Sarita


Já temos 9 aninhos borboleta!
Que os anjos guardem na memoria todos os teus sonhos, nesse mundo de fadas em que vives.
Continuas um mistério...

4 de janeiro de 2008

encontro de silêncio


A Tempestade lá fora, torna-se bela vista por dentro.
A luz que perfura a carne do destino,
ilumina e aquece-nos o rosto sedento de respostas.
de repente... fechas os olhos e sentes a caricia dos espíritos,
estendes as mãos e toca-te a paz inocente de uma criança.
É assim que me sinto junto de quem me embala os sonhos.
É esse não querer nada em troca...
não desejar mais do que já tenho.
Esse poder ver o horizonte sem ter que chegar perto.
É a beleza do distante.
Distante do desconhecido mas perto de um porto de abrigo.
E que Deus abençoe este não querer ir mais alem,
pois está-se aqui tão bem...

2 de janeiro de 2008

quarta opção


resguardos de alma
retalhos de sensações...
poder fechar os olhos e sorrir,
sem medo da mão que te toca,

certo do calor que te afaga.
sem frio... sem dor,
sem recuo... sem rancor.

a procura de uma paz... é um caminho tortuoso sim...
a perda significa que se teve, não se deve lamentar...
esse mergulho num punhado de arbustos...

por palavras minhas:
esse resguardo de alma em que te escondes
deves manter sim, mas com uma certeza inabalavel:

o viver intensamente requer a tua presença!
a questão é... a tua vontade de pertencer a essas vidas ou não...

espelho meu com moldura de anjo...
"alma antiga" cujos ventos trouxeram de volta,
ergue os teus braços como se asas fossem...
retoma mais uma vida
e recorda os ensinamentos de outrem.

de mim ... todas as "boas vibrações" deste e de outro mundo!
sempre...




29 de dezembro de 2007


29-12-2007
por vezes sinto-me assim, sentada num abismo com a luz etérea nas mãos... sentindo que... se cair com ela, caio em plenitude... se desistir, escureço a alma, se a soltar solto a imensidão dos seres que buscam.
Mas, se permanecer assim, sentada, inerte, conformada... ilumino não quem me vê, mas quem me sente.
Para os seres raros e especiais deste mundo que me sentem, julgo ser uma boa opção.
De vez em quando vou ali estar...

26 de dezembro de 2007

lolobetas


Para a minha Nani da xodade...

Anjos que voam... são como lhes chamo.
efémeros mas constantes dentro de nós.
São esperança, reflexos que a procura de um afago reflecte.
São o fechar de olhos no cansaço ou no descanso.
São pequenos deuses que nos lembram a beleza do mundo, da cor, da inocência.

E o puro gesto de pousarem nas flores para sobreviverem é mesmo isso...

Rainha que te julgas sozinha!
Flor na escuridão sempre em negação...

Não tens realmente a noção...
Da falta que fazes a todos os que te rodeiam, sejam efémeros, constantes, raizes ou terra.

Da luz que transmites aos perdidos.
Da mão que com que afagas a dor dos sofridos
Da candura silenciosa com que acordas os outrora adormecidos.
Da Beleza única que possuis.

Não precisas de Espelhos... basta a Tua Sombra.
Beijinho Amiga e Obrigada.






18 de dezembro de 2007

queda livre

Para um recente mas antigo amigo karmico...

por vezes temos que pesar na balança o dom com que nascemos e o que adquirimos em vida... o dom não nos é permitido escolher mas a pessoa com quem queremos partilhar o nosso ser, ter filhos, ter cão, ter gato, ter casa... isso é um caminho traçado por nós.
Queria ajudar-te a escolher o caminho, não é uma questão facil. Seria, se fosse possivel ter ambas as escolhas: praticar o teu dom e viver a tua vida. Quem sabe não é?
Mas se te vires num impasse e tiveres que fazer essa escolha um dia, acho que tenho a resposta...
Não seguires o teu destino espiritual... pode prolongar a tua estadia no longo caminho... ou dificultar, mas só te prejudica a ti.
Não seguires o teu destino pessoal... pode levar-te a perder os que amas, ou a hipotese de os amar e ser amado. Não te prejudica só a ti, mas sim a todos os que estão ligados à tua vida.
Gostaria de ser menos abstracta nos meus pensamentos. Mas penso que entendes. Se estiver enganada... pelo menos estou a ser sincera.
Boa sorte e que os anjos te ajudem tanto como "te usam"!

1 de setembro de 2007

luz de reflexo



acho que por vezes é suposto, quando tens uma luz especial, esta ser de reflexo para os outros e não propriamente para ti mesmo... como tal, se queres ter significado, não podes usar o que tens de bom para te alimentares, mas sim para saciar a sede do bem de outros.


é assim mesmo, acho... pelo menos é o que sinto.


Mas espero estar enganada e que um dia a luz seja tanta que possa iluminar-me tambem! ;.)


senão, tb não faz mal. Vou continuar a beber o bem na gratidão ou bem estar dos que gosto... julgo que tb alimenta.

6 de março de 2007

inércia... inércia
efémera, já nem por isso...
tantas marés nos últimos tempos... tanta areia que se moveu.
E assim se constrói uma vida, assim se tocam as almas deste mundo.
Estamos sempre a aprender! a viver, reviver, sofrer, sorrir, conhecer, reconhecer, erguer... cair.
E que a saga continue. Com saudades de muita coisa que ainda não se foi, dos amigos, seres especiais, daqueles que encontraram almas gémeas ;.)
com mágoa de outras...
mas essencialmente grata... a quem me guiou e me guia por este contorcidos degraus... para que não caia no poço das lamentações... fuga de cobardes. e prontos!!! não me apetece dizer mais nada, até qualquer dia saga ruim, mas feita de pandoras!

22 de novembro de 2006


22 de Novembro de 2006

a ti Pai. 14 anos de saudade de um sentimento que só nos acompanhou no silêncio, na alma de cada um. Nunca te disse, tambem nunca o ouvi de ti... mas adoro-te e continuas a ser um exemplo, de virtudes e defeitos, mas um exemplo, bóia de salvação... quando acho que o mundo não me entende e que tu sim o farias. Quando sei que o mundo me castiga mas que tu, no teu silêncio magnânimo me aceitarias. Ilusão... talvez, mas prefiro ver-te e recordar-te assim.
Descansa e viaja pelo mundo como outrora não conseguiste. Fica bem... and wish me luck

15 de novembro de 2006


novo capítulo
e assim foi, assim será... e que a saga da minha continue... estou a ficar cansada...
desta vez a queda foi forte, estranha... não deixou mágoa nem ressentimento... mas um grande vazio...uma grande lacuna que acho... não vai ser preenchida nem que viva mais 100 anos. A tristeza que sinto é tão profunda que não consigo escrevê-la. Ao que perdi, abdiquei... apenas desejo com todas as forças do meu ser que encontre tudo o que sempre procurou, que sinta tudo o que sonhou, que ame alguém mais do que alguma vez amou.
céus... quem dera não estar aqui.

9 de novembro de 2006


tenho a mente turvada, não consigo escrever nada.
tenho o peito vazio, cheio de dor e de frio.
tenho sonhos derramados
em rasgos destinos malfadados.
tenho tudo... e não tenho nada.
30/10/06
gostava de saber ouvir o humor dos céus,
sem o sarcasmo do homem, com a inocência de uma criança.
gostava de sentir orgulho pelas marcas de uma sina, em vez de dor pela vida não vivida.
gostava de sentir compaixão pelos que nada me são... em vez de pena de mim, que nada sou.
raiva de mim, que nada dou...
gostava de um dia, saber quem sou...
Cobarde? Egoísta?

talvez... mas de mim mais não dou!
08/11/06

27 de outubro de 2006


A Penumbra por vezes, assalta-nos o pensamento egoísta.
Faz-nos sentir o Mal Comum como se mal pior não houvesse.
A Tristeza por vezes, constroí-nos a Alma
para poder um dia ser renovada.
Um dia...
mais pura, mais completa, mais preparada.

Talvez então possamos apreciar os momentos bons vividos ou por viver.
A Dor... Fere... mas penso
que é o abrir de feridas mal curadas,
para delas expulsar o que nos é infecto.

Acredito que Um dia,
possa caminhar leve.
Acredito que um dia, possa Amar incondicionalmente
todos os seres deste Mundo.

A Certeza... faz de nós incompletos... mas repletos:
de bons ventos, boas marés.
De sorrisos, de Amigos.

Para que me interessa agradar ao mundo,
se o Mundo não me apraz?
Tenho que habitar nele como um Ser comum, sequioso de aprender,
Amar, Viver.

A Angústia,
amadurece cada segundo do respirar
de nós, troncos de vivências.
E sim,
acredito que a Alma Inerte que tanto anseio...
Um dia há-de chegar.
27/10/06 - 08:40