27 de dezembro de 2005



Medos, olhares, recuos, de assaltos na alma do sonho
pesam-lhe como pedras, fogem como cães sem dono.
lançou-as ao rio e virou costas ao mundo
mas em vez de leveza, sentiu um vazio profundo.

efémero como a tristeza de quem não sabe quem é.
silêncio alma de tudo, descrente da própria fé.

em vão cobriu a ilusão com vestes de euforia
a realidade cruel em flecha despiu-a da sua alegria

Recordou com melancolia as suas pedras cinzentas.
peso de pecado e medo
mas parte da sua essência.

De repente num impulso, sorriu e respirou liberdade
mergulhou no imenso rio e foi ao encontro da saudade.

por vezes é o que nos alimenta.
27.12.05