28 de julho de 2009

O silêncio...

Ninguém sabia o que tinha acontecido ao jardineiro. Durante uma semana ninguém o viu abrir os lábios, e quando os seus amigos lhe perguntaram a razão do seu mutismo, sorria-lhes simplesmente e encolhia os ombros com um gesto resignado.
Na aldeia, uns diziam que estava afónico, outros que Deus o tinha emudecido para que não continuasse a espalhar o mal com as suas palavras, e outros diziam que estava louco e que devia ser mais um dos seus disparates. Ao fim de dez dias voltou a falar e, quando um amigo lhe perguntou o motivo daquele prolongado silêncio, disse-lhe:
_ Nos últimos meses os meus lábios disseram demasiadas palavras a uns e outros, e é então que se corre o perigo das palavras se esvaziarem de sabedoria, como as conchas da praia que, embora possam ser belas, não têm alma nem vida. Foi por este motivo que a minha boca esteve fechada, a repousar no silêncio do Espírito; porque é do silêncio que surge a palavra que nutre e alimenta.

"O Jardineiro - contos para curar a alma" de Grian