17 de outubro de 2005

Passo a passo rosto de aço.
Reflexo ingénuo, sorriso efémero.
Que me atinge como um raio,
que me invade nos sonhos,
neblina de medos
brisa de desejos.


Passo a passo voz que embriaga
Ternura rouca e louca
Que a minha dor afaga.
Cicatriz que não sara
Hemorragia que não pára.

Passo a passo quero fugir
Olhar para o horizonte e cair.
Passo a passo quero resistir
E noutra vida ter a mesma ferida.
Mas não a mesma vida.

Passo a passo quero recuar
E esquecer que te vi passar.
Ver apenas um rosto amigo
E não aquele que quero amar.

Não vou dar mais passos!
Por favor quero parar.

(escrito há muito tempo)