20 de outubro de 2005


Depois de uma noite mal dormida, parece que estive em transe e que, de alguma forma consegui ver as coisas de uma forma diferente... ou talvez tenha conseguido encarar as coisas... finalmente.
Tenho o fatídico hábito de me deixar levar pela corrente, sem força ou vontade de nadar contra a maré.
Tenho a péssima tendência de atirar pedras ao lago sem pensar no que pode suceder a seguir, limito-me a observar e a contrariar o destino atirando umas seguidas de outras e tirando dessa valsa de circulos em contra-mão a minha inspiração...
Quando a música pára, fecho os olhos e mantenho-a viva na minha mente. E por vezes, tal não é o meu espanto, que o simples bater de asas de uma borboleta (metáfora de sensatez para mim) desperta o meu sonho e ergue-me de volta para o mundo real.
Daí a minha paixão por borboletas (para quem não sabia) pois para mim elas simbolizam o despertar das minha alucinações... e antes de sufocar em indecisões e dilemas, opto por contemplar a beleza que não é minha.
E assim me iludo, assim me desiludo... mas não entro nesse lago mesmo assim... porque gosto mais dos outros do que de mim, e deixo que o mundo continue assim... Como está.
Mesmo que mergulhar nesse lago me fizésse voltar atrás no tempo, não o faria, não o poderia.
Mas se tivésse a certeza que iria observar por momentos a minha próxima vida tal como a desejo, aí mergulhava um bocadinho só para sentir um pouco aquilo que não poderei sentir nesta.